E aqui estou eu a escrever, hoje, dia 27 de Outubro, e passado um mês da minha chegada a um novo país, com uma nova cultura, com gente de todos os cantos do mundo...
Confesso que sempre tive curiosidade de partir rumo a algo "novo", a algo que me podesse dar novos instrumentos, me podesse abrir ao mundo e vê-lo com dois olhos bem abertos sem palas nos olhos. Penso que quando estamos no nosso lar, confortáveis, sossegados, quando temos tudo aquilo que necessitamos as coisas fluem normalmente bem, com os desassossegos normais do quotidiano. Procuramos novos conhecimentos mas sempre imbuídos num sistema que é o nosso, com a nossa língua, tudo é facilitado e muitas vezes não temos consciência disso. Lamentamo-nos muitas vezes por coisas que deveriam ser enxergadas com um astral positivo, é verdade passado um mês imbuída numa nova cultura, a "british society" no sentido restrito do termo, apresenta diferenças relativamente à nossa. É notório isso, a começar logo pelo facto deles nao saberem conduzir normalmente :p porque é que têm de ser diferentes? É aí que reside o interesse, na diferença. Descobri que na diferença podemos encontrar um leque de oportunidades, sem palas nos olhos e esticando a mão ao próximo, sendo tolerantes as coisas fluem num círculo melhor, que se renova dia após dia.
Quando saí de Portugal saí com vontade de descobrir essa tolerância, de me dar e permitir enxergar realidades diferentes. Embora sentisse um aperto no coração manifestando a saudade das pessoas que deixara para trás sabia que não podia fracassar. Às vezes parece muito fácil partir, principalmente se levármos connosco aqueles que nos são, de facto, importantes. Eu não os levava comigo fisicamente, trouxe-os apenas no pensamento e no coração. A primeira semana considero que foi a "semana teste" e a mais difícil de suportar, a adaptação a um novo local, língua, cultura e pessoas são sempre uma experiência diferente e única. Graças à minha visão positiva decidi que iria seguir a minha vontade, a do conhecimento e que não iriam ser as saudades que me iriam deixar de avançar nos meus objectivos. Parti em busca de um mundo desconhecido e que hoje já faz parte integrante da minha intimidade.
Estou há um mês em Essex, Colchester e parece que já estou aqui há muitos mais meses. O conhecimento de pessoas foi progressivo e hoje já me sinto bastante apegada a algumas delas e sei que quando me for embora vou levar "novas" saudades porque a cada passo que damos, a cada conhecimento, renovamo-nos a nós próprios e, consequentemente, também ganhamos novas amizades, algumas que nos marcarão para sempre...
É bom saber que posso conhecer, que posso "crescer" interiormente e intelectualmente e que quando chegar terei aqueles que eu amo e que estão comigo à minha espera. Isso dá-me força para continuar e dá-me mais confiança e tranquilidade na minha "missão".
Finalmente e principalmente queria agradecer aos meus pais, meus mentores nesta vida, porque sem eles esta "missão" não seria uma realidade presente, sem o apoio deles esta experiência não teria o mesmo encanto, seria não mais que um sonho perdido algures no horizonte...
Carinhosamente,
J.G@
domingo, 26 de outubro de 2008
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1 comentário:
uns mais que outros,sentimos falta mais de umas do que outras...todos temos e sabemos dar o valor...
gostei muito de ler este post, muito mesmo...identifico-me parcialmente, porque como já sabes a minha experiência é um tanto ao quanto diferente... talvez por já ter vivido mais, já ter sorrido e sofrido mais... tenho um um gelo especial na alma... um gelo que derrete perante quem de direito...
por vezes a falta aperta, mas quase sempre nada mais que os mimos que tivemos durante anos, olho para mim ao espelho e digo... sempre lá estiveram... nem sempre lá vão estar... mas respira fundo.. que enquanto la estiverem... te haverão de amar...
novos colegas... novas caras... novas posturas e personalidades... nunca fui muito fácil de lidar, de conviver... sempre fui muito rígido no que toca a conhecer novos aspectos, novas versões do viver...
mas o que derrete o gelo que vai na alma... é saber que um dia vou ter aquilo que quero, como quero... e é isso que me da calma... saber que o irei partilhar com quem quero...
a chuva que escorre a alma antes do escurecer... é inevitável... talvez por tantos anos retida... ela se queira dar a conhecer... sabe bem... limpa o olhar... o sentir... o gostar...sabe bem
****beijinho
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